terça-feira, 30 de junho de 2015
2 ou 3 coisas sobre a escola:
# eu seria uma mãe muito mais feliz se não existissem tpcs
Não é que me custe pôr os meus filhos a fazer os tpc, são responsáveis e nem sequer tenho de os mandar ir fazê-los. O meu filho diz sempre que é pouco – “São só três fichitas”.
Também não é por achar que as professoras estão a tentar que os ensinemos em casa, é mesmo porque “tem de ser”. Aliás, pedem-nos sempre para não lhes dar as respostas e tentar reduzir ao mínimo a forma como os apoiamos nessas tarefas em casa.
É pelo tempo para brincar, e fazer outras coisas igualmente divertidas, que os miúdos acabam por perder em prol dos tpc
# os meus filhos devem ter as melhores professoras de sempre. Com elas ninguém faz farinha mas também não vão dali sem um carinho. My kind of gals.
Nunca tinha pensado no descanso que é ter uma professora assim. Sinto-me mesmo muito grata por isto.
São amorosas e ferozes, como escreveu uma menina da sala dele “A minha professora é linda e minha amiga, a minha professora ensina-me muitas coisas, a minha professora é muito feroz” tongue emoticon
# já fui a algumas reuniões só de pais e outras com as professoras e os pais e tenho a dizer que fiquei surpreendida pela positiva, sim senhora, nunca pensei
sempre tive das reuniões de pais uma ideia de serem uma espécie de “reunião de condomínio”, mas tenho tido muita sorte até agora, tudo gente muito cordial, uns mais calados outros mais faladores, mas todos participantes, ninguém a armar ao pingarelho
# quem me dera poder escolher uma método de ensino diferente – mas não me perguntem qual que não sei, seria algo em que o potenciar das capacidades dos pequenos não estivesse limitado a este formato tão formal que inventámos
vejo muito potencial na miudagem toda que fica pelo caminho neste modelo de ensino que temos
# que fixe que, sem querer – porque nem sequer pensámos nisso, os meus filhos foram parar a uma escola pública pequena e bastante heterogénea nas “origens” dos alunos
só depois de os ver lá dentro e começar a olhar para o lado me dei conta a sério disto e da sua importância
# não obstante muitas coisas que se podem apontar e que devem melhorar, sempre adorei a escola e revivo agora esta sensação tão boa, porque a minha gente gosta da escola (so far)
Com a água que tem passado debaixo desta ponte, ter as professoras como as nossas aliadas principais de dia-a-dia e encontrar na escola um porto seguro é algo que não tem preço.
# eu seria uma mãe muito mais feliz se não existissem tpcs
Não é que me custe pôr os meus filhos a fazer os tpc, são responsáveis e nem sequer tenho de os mandar ir fazê-los. O meu filho diz sempre que é pouco – “São só três fichitas”.
Também não é por achar que as professoras estão a tentar que os ensinemos em casa, é mesmo porque “tem de ser”. Aliás, pedem-nos sempre para não lhes dar as respostas e tentar reduzir ao mínimo a forma como os apoiamos nessas tarefas em casa.
É pelo tempo para brincar, e fazer outras coisas igualmente divertidas, que os miúdos acabam por perder em prol dos tpc
# os meus filhos devem ter as melhores professoras de sempre. Com elas ninguém faz farinha mas também não vão dali sem um carinho. My kind of gals.
Nunca tinha pensado no descanso que é ter uma professora assim. Sinto-me mesmo muito grata por isto.
São amorosas e ferozes, como escreveu uma menina da sala dele “A minha professora é linda e minha amiga, a minha professora ensina-me muitas coisas, a minha professora é muito feroz” tongue emoticon
# já fui a algumas reuniões só de pais e outras com as professoras e os pais e tenho a dizer que fiquei surpreendida pela positiva, sim senhora, nunca pensei
sempre tive das reuniões de pais uma ideia de serem uma espécie de “reunião de condomínio”, mas tenho tido muita sorte até agora, tudo gente muito cordial, uns mais calados outros mais faladores, mas todos participantes, ninguém a armar ao pingarelho
# quem me dera poder escolher uma método de ensino diferente – mas não me perguntem qual que não sei, seria algo em que o potenciar das capacidades dos pequenos não estivesse limitado a este formato tão formal que inventámos
vejo muito potencial na miudagem toda que fica pelo caminho neste modelo de ensino que temos
# que fixe que, sem querer – porque nem sequer pensámos nisso, os meus filhos foram parar a uma escola pública pequena e bastante heterogénea nas “origens” dos alunos
só depois de os ver lá dentro e começar a olhar para o lado me dei conta a sério disto e da sua importância
# não obstante muitas coisas que se podem apontar e que devem melhorar, sempre adorei a escola e revivo agora esta sensação tão boa, porque a minha gente gosta da escola (so far)
Com a água que tem passado debaixo desta ponte, ter as professoras como as nossas aliadas principais de dia-a-dia e encontrar na escola um porto seguro é algo que não tem preço.
O nosso telefone tocou!
Olá a todos,
Esta é a nossa família.
Um sonho tornado realidade com a chegada da Magnólia e do Chaparro Júnior.
Eis-nos num desenho feito pela Magnólia no dia seguinte ao nosso primeiro encontro, em Outubro de 2014.
A Magnólia tem 10 anos e o Chaparro Júnior tem 7 anos (feitos já connosco).
Apreciem a bela imagem, depois vimos deixar-vos um resumo dos últimos meses e segue-se uma corrida a actualizar-vos com fotos de tipo gato-escondido-com-o-rabo-de-fora e textos que fomos escrevinhando.
Até já!
Cipreste e Chaparro, muito orgulhosos
Esta é a nossa família.
Um sonho tornado realidade com a chegada da Magnólia e do Chaparro Júnior.
Eis-nos num desenho feito pela Magnólia no dia seguinte ao nosso primeiro encontro, em Outubro de 2014.
A Magnólia tem 10 anos e o Chaparro Júnior tem 7 anos (feitos já connosco).
Apreciem a bela imagem, depois vimos deixar-vos um resumo dos últimos meses e segue-se uma corrida a actualizar-vos com fotos de tipo gato-escondido-com-o-rabo-de-fora e textos que fomos escrevinhando.
Até já!
Cipreste e Chaparro, muito orgulhosos
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Nós e este blog
Na primeira pessoa do singular
Cipreste, porque afinal sou a mais faladora deste blog :)
Escrevo este texto no rescaldo de grandes eventos nas nossas vidas e da vontade de escrever sobre esses e outros assuntos.
Escrevo este texto porque é uma coisa que eu faço: escrever textos.
Não me estou a justificar, estou a fazer outra coisa que faço amiúde: questionar-me.
Enquanto escrevo, tenho ideias já formadas, formo ideias novas, mudo de ideias, transformo certezas em incertezas e vice-versa. São as minhas ideias e as minhas opiniões e é tudo parte de um processo dinâmico. Aceito e assumo mudanças de perspectiva. Não tenho intenção que alguém viva sob os meus princípios. Aceito opiniões respeitosas. Aceito discordar. Aceito críticas e sugestões. Não aceito imposições e não tenho muita paciência para pessoas que revelam não estar disponíveis para sair das suas zonas de conforto e olhar outros cenários. Detestaria que toda a gente fosse como eu, gosto que o mundo seja diverso. Estou nisto como no resto, com uma ética de vida que pressupõe fazer o bem (seja lá o que isso for, não é?). Os efeitos de quem venha tresler são da inteira responsabilidade de quem o faça.
Este texto serve também para organizar ideias sobre privacidade e partilha.
Não gostando muito de epítetos, mas de forma a facilitar a expressão, digamos que sou uma pessoa extrovertida e muito aberta, gosto muito de conversar, adoro conversar, adoro relacionar-me com o outro. Isto não faz de mim uma pessoa que não goste de estar sozinha: eu gosto – muito – de estar sozinha e não me rodeio de pessoas para mascarar inseguranças e outras dificuldades que uma psicologia de almanaque pretendesse diagnosticar.
Portanto, sou uma pessoa extrovertida e muito aberta, gosto muito de conversar, adoro conversar, adoro relacionar-me com o outro, mas isso não faz com que tudo o que partilho seja tudo e o todo sobre mim e sobre a minha vida, nem quer dizer que o que se possa ler escrito por mim, na primeira pessoa, permita um conhecimento de mim, da Cipreste. Acima de tudo, o que me importa é assumir tudo o que escrevo aqui perante os meus. Uma vez mais, não, não me estou a justificar por expôr pormenores e pensamentos, estou a fazer outra coisa que faço amiúde: questionar-me. Quem sabe um dia algo me leve a mudar de ideias (lá está) e decida ser imperioso apagar isto tudo.
Na primeira pessoa do plural
Posto isto, este texto serve também de explicação e apelo.
Explicação - estas pessoas que poderão ler aqui também somos nós mas não é tudo sobre nós, falta aqui a pele, o olhar, a voz e tanto mais. O que poderão ler aqui é apenas uma parte das nossas vivências e ideias, tirar daí conclusões sobre as nossas pessoas será porventura precipitado e decerto incompleto.
Apelo - acaso consigam, através da leitura de eventos ou das imagens aqui partilhadas, identificar-nos, por favor, não revelem publicamente a nossa identidade porque:
- Alguém pode ter a veleidade de fazer a confusão que tentamos evitar com a explicação dada sobre achar que fica a saber tudo sobre nós e as nossas vidas
- Se escrevemos aqui de forma anónima é porque é assim mesmo que desejamos estar aqui ;)
- Existem situações específicas e sérias que exigem que nenhum de nós esteja identificado
Somos pessoas que escrevem.
E assim se vai alimentando este blog, um texto de cada vez, uma reflexão de cada vez, uma partilha de cada vez.
E o nosso desejo para com quem está aí desse lado é que desfrutem. Se assim o desejarem, conversem connosco, partilhem de volta com outras experiências, etc.
E, se por um acaso nos identificarem, venham dizer-nos olá :) Pode ser através do endereço odiatesejalimpo@gmail.com ou através dos contactos pelos quais nos conhecem ;) Acima de tudo, pedimos-vos discrição.
Obrigado,
Esta família de árvores
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Queremos regressar
Olá,
Estamos a tentar encontrar a forma mais confortável para regressar:
sim, já somos pais, pais muito felizes e orgulhosos.
Já cá voltamos para apresentar a nossa descendência.
Até já. Ou até logo.
Tenham paciência.
Agora fazemos tudo mais devagar.
Um abraço,
Cipreste e Chaparro
edit: ao publicar o post, percebemos que passam exactamente 8 meses desde a última vez que cá estivemos... ena!
Estamos a tentar encontrar a forma mais confortável para regressar:
sim, já somos pais, pais muito felizes e orgulhosos.
Já cá voltamos para apresentar a nossa descendência.
Até já. Ou até logo.
Tenham paciência.
Agora fazemos tudo mais devagar.
Um abraço,
Cipreste e Chaparro
edit: ao publicar o post, percebemos que passam exactamente 8 meses desde a última vez que cá estivemos... ena!
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
só porque sim
Já disse que não comprarei nada além de livros, antes do grande acontecimento. Apenas... estava a olhar o site do ikea e isto surgiu à frente dos meus olhos. Não adicionei ao carrinho de compras: palavra de Cipreste.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
das milhentas coisas que me amedrontam
«Becoming a family
It may take months or years for an older child and his family to fully adjust to one another. Many parents report that they acted as if they loved their child long before they felt that love. Margolese says, “You have to get to know each other and adjust to personalities, tastes, and routines. It is a huge adjustment for both sides, and you should expect some bumps. I think some transitions are difficult because parents are not realistic about what to expect. No transition will be free of problems.»
(lido ali)
(lido ali)
Dentro daquilo que não sabemos sobre aquilo em que nos vamos meter, é isto que me assusta, este desconhecido que não tenho como conhecer até estar lá, até chegar a esse dia. E nada podemos fazer para antecipar este conhecimento. É uma das ansiedades que se associa á da espera: se todas as histórias de adopção implicam dificuldades, quais serão as que nos vão "calhar"?
Tentar não pensar nisto é como "chover sobre o molhado", não nos leva a lado algum e só serve para aumentar angústias. E assim temos de ir andando, enquanto não sabemos, de facto, em que estaremos metidos.
:)
Que venha daí, é a única resposta possível.
Tentar não pensar nisto é como "chover sobre o molhado", não nos leva a lado algum e só serve para aumentar angústias. E assim temos de ir andando, enquanto não sabemos, de facto, em que estaremos metidos.
:)
Que venha daí, é a única resposta possível.
Cipreste
compaixão. firmeza. pro-actividade.
Partindo do princípio de que não há receitas ideias e/ou 100% eficazes no que respeita a educação parental na adopção, vou coleccionando algumas e fazendo a minha "manta de retalhos".
Gosto desta máxima: Tenha compaixão. Seja firme. Seja pro-activo.
Cipreste
Gosto desta máxima: Tenha compaixão. Seja firme. Seja pro-activo.
Cipreste
sábado, 11 de outubro de 2014
ReMoved - parte II
Olá,
Lembram-se deste filme? Pois bem, os seus autores querem ir mais longe e estão a precisar de financiamento, para isso, lançaram esta acção de crowdfunding. Já agora, podem fazer "like" na sua página ;)
Beijinhos,
Cipreste e Chaparro
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
ninho vazio
Com todo o respeito pelos pais que estão a passar pelo "verdadeiro" síndrome do ninho vazio, é assim que me sinto: o meu ninho está vazio e os meus pardalitos tardam em chegar a casa.
E assim me vou deitar. Passo pelo quarto vazio e, uns dias, olho o quarto deles (ou dele, ou dela, ou delas), outros dias não olho.
Enfim, boa noite,
Cipreste
p.s. a propósito, numa pesquisa, fui dar a este trabalho muito interessante, vale a pena clicar ;)
terça-feira, 7 de outubro de 2014
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
estou aqui
Apenas um pouco mais ocupada do que habitualmente. Ando de volta dos recados que listei ali e - três vivas! - estou a conseguir fazer tudo. Ainda pensei que que fosse deixar alguma coisa para trás, mas não, e vou repetir porque me vai saber bem: estou a conseguir concretizar o montão de compromissos assumidos.
A parte mesmo boa disto tudo é que não está a ser às custas de sacrificar o tempo da família. Depois dos aniversários da Princesa e do Freixo, não falhámos* o da minha mãe, o do meu pai e o da minha mana.
A disposição de todos está a melhorar em escadinha, o meu pai, que me estava a parecer entrar em depressão (perfeitamente compreensível considerando o que se está a passar na sua vida) foi melhorando a sua disposição de aniversário para aniversário. No da minha mãe, deixou-me o coração afundado ver uma pessoa tão resistente, sempre tão de bem com a vida assim desanimado, triste. No seu aniversário, já estava mais bem disposto e no da minha irmã atá cantámos todos à mesa - extra o parabéns, entenda-se :)
Deve haver tempo e lugar para tudo, eu sei. E uma data vale o que vale, mas custa muito ver alguém triste num aniversário, principalmente quando essa pessoa é o nosso pai querido.
Deve haver tempo e lugar para tudo, eu sei. E uma data vale o que vale, mas custa muito ver alguém triste num aniversário, principalmente quando essa pessoa é o nosso pai querido.
Cipreste
*sempre são cerca de 100km para cada lado
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Se a ideia dos chineses da antiguidade de que não nascemos completamente humanos, mas antes que nos tornamos humanos à medida que nos cultivamos, e às nossas relações com os outros, está correcta – e que o façamos num mundo tão hostil e ameaçador em que os acontecimentos tomam rumos terríveis e em que aquilo que conseguimos controlar é muito limitado – então, o cuidar é uma daquelas relações e práticas de auto-cultivação que nos torna, mesmo quando experimentamos os nossos limites e falhas, mais humanos.
Arthur Kleinman, 2010
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Chegou o nosso certificado
Com 6 meses de atraso em relação ao prazo legal, ou seja, datado do dia em que fez 1 ano da candidatura, mas isso agora não interessa para nada.
Cipreste e Chaparro
São duas folhas. Uma diz “notificação de selecção”, a outra diz “Certificado de Selecção de Candidato a Adoptante” e reza assim:
«Certifica-se que nos termos do disposto no nº 3 do art. 6º do Decreto-Lei nº 185/93, de 22 de Maio, na redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei nº 120/98, de 8 de Maio e pela Lei nº 31/2003, de 22 de Agosto, Chaparro e Cipreste residentes no Que o Dia Te Seja Limpo, foram seleccionados como candidatos a adoptantes, por decisão do Exmo. Senhor Director Distrital de Segurança Social.»
Assinado e com carimbo branco e tudo e tudo.
Registe-se: temos o papel!
Estais, portanto, perante duas pessoas certificadas a nível Estatal para serem pais. Duas pessoas que nunca pensaram ficar com os olhos marejados de lágrimas, ao abrir a caixa de correio, só por causa de um papel.
coisas que nos fazem sentir muito, muito, pequeninos
"I can't see, so he guides me. Whenever I make a sound, he will come running. He reads to me. He cooks for me. And he got the second highest ranking in his 6th grade class."
Nurpur, India
E uma vez lançada, a palavra voa irrevogável*
Consulto o Priberam para confirmar a conjugação de um verbo e os meus olhos são chamados para a nuvem do lado direito com as palavras mais pesquisadas do dia.
Fico suspensa a pensar nas pessoas que terão procurado o significado de paliativo, que dou por mim a dizer no plural: paliativos. Cuidados. Sinto proximidade e compaixão por essas pessoas.
Diz-se que há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. O momento em que alguém nos diz a palavra paliativo consegue conjugar estas três coisas. Sentimos como que uma flecha no peito, a palavra fica a ecoar e mergulhamos nas oportunidades que não voltam atrás.
Não há-de ser fácil ler, de chofre:
1. Que serve para paliar.
substantivo masculino
2. Remédio que não cura mas mitiga a doença.
3. Recurso para atenuar um mal ou adiar uma crise; adiamento.
4. Disfarce.
Seguir a palavra paliar e encontrar a crueza de:
verbo transitivo
1. Encobrir, revestir de falsas aparências.
2. Pretextar.
3. Demorar, adiar.
4. Atenuar, aliviar.
5. Travar com paliativos.
Perceber que tudo isto não passa de um verbo transitivo. Seguir o significado de transitivo e receber a mensagem "que passa" e confirmar que não serão os dicionários a amenizar as nossas suspeitas.
Cipreste
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Desafio
Há muito tempo que não vos venho falar da endometriose e convém ir fazendo-o amiúde porque é muito importante ir passando a palavra.
Fica a mensagem de ontem da Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose, no facebook:
Esta doença afeta mais de 176 milhões de mulheres em todo o mundo!
Já a conhecias? A divulgação é a nossa maior arma para um diagnóstico correcto e atempado podendo assim evitar a progressão da doença e sequelas irreversíveis!
Sabe mais em mulherendo.
A ideia é escrever a palavra Endometriose de forma original, fotografar e partilhar com a mensagem no vosso mural desafiando 4 amigos a fazê-lo também.
Têm 48h para cumprir este desafio (foi a contar desde ontem dia 15, eu é que me atrasei...), caso contrário deverão fazer um donativo de 1€ à MulherEndo - Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose!
Fica o meu contributo, em dia de aniversário da Mafalda ;)
Pf ajudem a passar a palavra e, se possível, uma pequena contribuição para a nossa associação que tanto nos tem ajudado - pelo menos, a mim, já fez uma enooorme diferença na vida
Obrigada e beijinhos,
Cipreste
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Consolo
Ontem, foi o último dia de trabalho do Chaparro. Alegando a extinção de postos de trabalho, o patrão milionário viu-se obrigado a arrumar contas com os primeiro 25 que despachou colectivamente, alguns com 30 anos de casa. E assim se viram livres dos 2 meses legais da tortura da praxe que distam entre a oficialização do despedimento e a sua concretização.
Ontem, entre intervalos do meu trabalho, acompanhei o meu pai nas consultas – Oncologia Médica e Consulta da Dor. O dia começou ameno, mas quando chegou à Consulta da Dor começou a queixar-se de forma mais intensa. Contratempos e urgências a que os médicos foram chamados, levaram-nos a perceber que as dores do meu pai não eram ali uma urgência major. E nós compreendemos. Nós compreendemos sempre. São 13 anos a arrastar-nos entre muitas especialidades.
Agora, a especialidade da dor.
O meu pai saiu de lá aliviado da dor. Eu, nem por isso.
Trouxera o carro para a cidade, a 100km de casa deles, ainda insisti que os levava, que conduziria o seu carro. Mas ele é um resistente. Disse-me: eu consigo. E eu acreditei nele. Lá foram. A minha mãe ligou quando estavam a chegar. “Quando chegarem, liga-me”. Que é para eu ficar mais descansada. Mas eu não fiquei mais descansada. A minha mãe disse “Já chegámos, o pai está melhor.” e ele, lá do volante, disse bem alto, para eu ouvir, “beijinhoooos!”. E eu disse “beijinhoooos!”. E o meu coração fez aquela coisa de ficar muito pequenino e muito grande ao mesmo tempo.
Tive de anular umas das reuniões que ia ter mas ainda consegui ir à outra. O Chaparro foi buscar-me no fim, com o porta-bagagens cheio de caixas com livros e catálogos e mais não sei o quê – o espólio que lhe restou.
Dias grandes.
Hoje, vim ainda mais cedo que o habitual, sozinha, de carro, e ele lá ficou. Vai ao banco e vai continuar a obcecar com as várias hipóteses profissionais, que maioritariamente passam por criar o seu próprio emprego. Não vale a pena ter a veleidade de que conseguirá, na conjuntura actual, emprego na sua área.
Costumávamos sair de casa juntos pela manhã. Só temos um automóvel. Ele deixava-me de manhã e seguia, ao final da tarde eu regressava a casa de autocarro ou a pé. Não sei como vai ser agora.
Estacionei na garagem do meu trabalho, no -1, o elevador desceu ao -2 para apanhar mais alguém. Entraram 3 colegas com quem simpatizo. Um perguntou-me pelo meu pai e dei por mim a responder “um dia de cada vez” já entre lágrimas. Coitados, embaracei-os. Pediu-me desculpa por perguntar. Eu agradeci o seu cuidado ao perguntar. E desculpei-me pela vontade própria das minhas lágrimas.
Cheguei ao meu gabinete para de seguida sair com um cigarro e uma moeda para tirar café da máquina.
A caminho do cantinho dos fumadores, trauteava que a vida é sempre a perder.
Éramos 3 fumadores. Uma desabafou que é 6ªfeira, o outro disse em desalento que é igual a ser fim-de-semana. Ele não trabalha por turnos nem noites, os dias são iguais porque sim e rematou que somos sortudos por ter emprego. Eu não disse nada. Eu pensei “hoje é o primeiro dia do Chaparro desempregado”.
Pensei que sei que sou sortuda por ter emprego e pensei que sou ainda mais sortuda por ter um emprego em que não estou simplesmente a enriquecer um porco rico que tem coragem para despedir pessoas com cancro ou acabadas de comprar casa ou de ter um filho – esse é o ex-patrão do Chaparro. É essa a forma como cumpre a responsabilidade social de que tanto os da sua laia apregoam fazer.
Eu estou no serviço público e sei que é isso que faço. Nenhum ordenado paga a humanidade que venho buscar aqui. Estou feliz por ver o Chaparro livre daquele ambiente.
Eu estou no serviço público e sei que é isso que faço. Nenhum ordenado paga a humanidade que venho buscar aqui. Estou feliz por ver o Chaparro livre daquele ambiente.
A vida pode ser sempre a perder, mas há formas mais dignas de perder do que outras. Não odeio o que é fácil, nem acho que tudo o que vale a pena é difícil de conseguir. Mas tem sido a nossa experiência de vida. Estou mesmo muito feliz por ver o Chaparro livre daquele ambiente. Consola-me saber que pode estar aí ao virar da esquina o realizar de um sonho para ele.
Ok, ainda não será o sonho de ter uma cabana na praia, mas já não será nada mau. Está nas nossas mãos.
Deixo-vos com este poema:
BIOGRAFIA
Tive amigos que morriam, amigos que partiam
Outros quebravam o seu rosto contra o tempo.
Odiei o que era fácil
Procurei-me na luz, no mar, no vento.
Sophia de Melo Breyner Andresen
Um bom dia para vós,
Cipreste
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
da boca dos outros
Conta-me histórias
por Mãe Preocupada
«(...) Formas de pensar nem sempre são formas de ser e, muitas das vezes, não passam de modos de dizer. Além disso, sabes o que acho das convicções: são suicídio. Quando a gente insiste num lado, começa logo a morrer dos outros. Poupemo-nos à terrível humilhação de nos faltar o ar quando estamos no cimo do palanque.
Conta-me histórias. Prefiro que me contes histórias, nem que as inventes. Antes ser aldrabada pela tua imaginação do que pelos teus juízos. (...)
Poupa-me a moral, sentença ou epílogo. Para contar uma história é preciso hipotecar o coração e assim logo ficarei a saber o quanto ele vale.»
por Mãe Preocupada
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