quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Mãe Preocupada: o melhor sítio da blogosfera portuguesa

título alternativo ao post: escrita brutal e brilhantemente bela que nos faz exclamar "raisparta"

«Somos iguais

- Veja, por exemplo, a menina é doutora, eu sou isto que não passa do pouquinho que estudei e bem me arrependo, mas que interessa? Somos iguais, mulheres, mães. Somos humanas, não é?
Foi isto umas semanas depois de o mais velho me ter contado que o rapaz dela chegara à escola todo marcadinho nos braços e nas coxas. Confidenciara-lhe em surdina, obrigando-se ao riso para diminuir a vergonha que sentia: um arraial de porrada na noite anterior, estalo e pontapé, por causa de uma dessas rebeldias de adolescente, nem percebera bem qual porque o desacato era o seu modo natural de ser. Não comentes, nem com a tua mãe, senão a minha dobra a carga. Mas ele comentou, e um dedo nos lábios foi o sinal para que eu não repetisse em voz alta o que acabara de ouvir. Fiquei-me de noite às voltas na cama, nem a leitura me desatou os grilhões ao pensamento. Quantas vezes o miúdo comeu e dormiu lá em casa? Quantos abraços me deu? A gente afeiçoa-se. Mãe de um é mãe do mundo, vê em todos o filho que podia ser tido, rala-se com as dores de crescimento alheias, contrai-se do ventre que pariu o universo torto, imperfeito, aleijão.
Depois, então, encontrei-a. A propósito de assunto que não recordo, disse-me aquilo. Que eu sou doutora, ela não passa do pouquinho que estudou, mas somos iguais. Quase a desdigo, porque sinto-me a milhas dela, em mundo paralelo, incapaz da tolerância que aprendi com aqueles que tiveram vida oposta à minha e cortaram nos afetos para amealhar em resistência. Calo-me, olho-a com secura e dou-lhe apenas o que a boa educação impõe.
Acontece que, subitamente, o rapaz aparece e vejo-os unindo-se num abraço feliz, olhos protetores nos olhos aduladores, cumplicidade de mãe e filho sarando todas as feridas, o laço firme que nem a rebeldia desata, o beijo maior que a sova. Do útero até à morte.
São tremendas, misteriosas, - às vezes até um susto - as coisas do amor. E a minha tese sobre o segundo pilar de Maastricht, além de ser um fastio, não me avisou de nada disso. Doutora do caraças.»

terça-feira, 22 de setembro de 2015

adopção: é normal ter sensações de rejeição ao filho

Há pouco, escrevia uma resposta a uma pessoa que me enviou uma mensagem a anunciar a adopção de uma criança em idade de início do 1º ciclo, a idade do Chaparrito quando nos conhecemos (coraçõezinhos!). Fiquei de lágrimas nos olhos, de felicidade, sem sequer conhecer o rosto destas pessoas. 
Revi os últimos 11 meses e subitamente dei por mim a escrever a dar "conselhos totalmente grátis" e... não solicitados. Depois dei por mim a matutar nisto, nesta ânsia de dizer às pessoas aquilo que não vi escrito literalmente nos livros e que nenhum pai adoptivo teve coragem de me dizer e que eu gostava que me tivessem dito. Isto foi o que lhe escrevi:

«Recolham-se, tu e o teu marido e o teu filho.
Cuidem-se.
Alimentem-se, durmam (se houver umas noites em claro, pelas preocupações dos primeiros tempos, dorme quando ele estiver na escola).

Poucas pessoas falam das dificuldades dos primeiros tempos, para nós pais, ainda menos admitem reacções adversas (de sensação de rejeição, de medo de ter dado um mau passo). Porque as pessoas pensam que é errado um adulto que fez uma escolha ter essas sensações, mas não é... é nada mais do que natural! E não significa voltar atrás nas decisões, significa apenas que nós também nos tempos de adaptar antes de viver a fase seguinte, como eu vivo agora... de felicidade imensa.

Desejo-vos muitas felicidades e espero não te ter assustado, mas eu gostava de ter tido alguém que me tivesse dito estas coisas, assim, e fazer-me sentir normal e não "errada". E depois, há, de facto, pessoas que não passam por estas sensações, mas essas são as raras e não ao contrário... isso sei-o hoje ;)

A sério, disponham dos meus contactos, inclusive se o teu marido quiser falar com o meu (parece sexista, eu sei, mas somos diferentes pelo género nalgumas coisas ;) ).»

Muito há para destrinçar nesta mensagem, mas, basicamente é isto: é normal sentir rejeição e isso não significa que se vai voltar atrás. E umas palavras amigas fazem muita falta nessas alturas.

Note-se que falo da adopção de crianças "mais velhas"... com memórias vivas, pensantes e falantes. Penso que a experiência com bebés há-de ser diferente.

Assim, de repente, penso que este é capaz de ser o post mais importante que escrevi aqui.
Disponham.

Tenham um bom dia.
Ciprteste




quinta-feira, 17 de setembro de 2015

mandar os filhos à escola

É hoje! É hoje!
A Mangólia tem hoje apresentação na escola, muitas mudanças, afinal inicia o 5º ano:
# deixa de ter apenas um professor
# vai para uma escola enorme, que vai até ao 12º ano (medo!)
# inicia a aprendizagem musical (já vos disse que escolheu clarinete ou fagote, foi aprivada para ambos e teve vaga para fagote?)
# vamos para um mundo bastante maior do aquele aconhego da escola primária
# depois venho cá contar-vos como foi
# até já

~ ~ ~

É muito esquisito se eu disser que me identifico muito com a mãe preocupada?

«Círculo vicioso
A nova diretora de turma estreou-se dizendo "as aulas prolongarão-se" e fazendo afirmações de admirável complexidade, como "não sei se essa informação já está online, mas se estiver, lá estará, se ainda não estiver é porque então não está e há de estar". Faz jus aos seus antecessores, que diziam "hádem dar-me os vossos contactos", "e prontos, agora vou falar das avaliações", "este ano houveram algumas notas muito baixas". A professora de geografia gastou a primeira aula a ditar excertos do manual e a obrigar os alunos a papagueá-los, um a um. O professor de educação física estacionou mesmo em cima da passadeira, apesar de o parque estar livre e ser gratuito, porque era o único lugar onde havia sombrinha. No final do trimestre, chamarão os pais para lhes dizer que a canalha não sabe falar, tem uma cultura vergonhosa e perdeu a noção das regras e do respeito pelos outros.
Entretanto, tenho a caixa de e-mail atafulhada com press-releases de lançamentos editoriais que vão mudar o mundo: diários da maternidade, conselhos para a harmonia conjugal e dietas à base de sumos. No jornal, diz-se hoje que as estatísticas são o abecedário do futuro. O rosto de Sócrates promove a credibilidade do ensino superior. Os europeus estão a tentar compreender que o propósito da verdadeira generosidade é a salvação do outro e não a própria.
Não sei para que é que mando os meus filhos à escola.»

must have

Orfeu de Bicicleta 

“O mundo não se divide entre Ocidente e Oriente, religiosos e tradicionalistas, mas entre pais de crianças pequenas e o restante da humanidade”, começa por escrever o autor, para quem esta classe faz parte da “categoria dos chatos provisórios”, formada por três tipos: “o bêbado, o apaixonado e os pais de recém-nascido. Só os suporta quem está no mesmo estado.” (pág. 37)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

sigh

Pois… a escola e os métodos de ensino.

Se me ponho a pensar muito, fico angustiada com o tema “escola”. Como disse ali, a escola é um assunto muito próprio na adopção. Poderia ficar horas a falar disto. Tenho tantas ideias, tantas horas de leitura e reflexão, tantas opiniões e dúvidas - e a sensação da certeza de que estamos a fazer tudo ao contrário do que deveria ser feito. E não tenho tempo para me empenhar em fazer a viragem no paradigma em que estamos. (eu sei, eu sei, também me enjoam um bocado os conceitos como “paradigma” e prometo que não vou usar a palavra começada por “e”)

Dizia que não tenho tempo. Nós não temos tempo. Na nossa família, tratamos o tempo nas palminhas. Ele passou-nos rasteiras e estamos num caminho que nos pode induzir em erro e ficar na ideia de que poderemos recuperar (d)o passado que não nos foi permitido. Assim, temos de estar sempre muito atentos para não resvalar em ideias de “recuperação” mas antes concentrarmo-nos na nossa caminhada - para a frente com aquilo que temos porque o passado foi lá atrás.
Bonito, não é? Fui eu que inventei agorinha mesmo.
Mas não serve.
Não serve porque se a Magnólia não conseguir encaixar as divisões com números decimais não vai ser capaz de fazer não-sei-o-quê e depois nunca vai conseguir aquele trabalho. Estão a ver o filme? E damos por nós, ali, a treinar e a treinar e a treinar. A inventar exercícios práticos com coisas do nosso dia-a-dia a ver se a coisa fica mais natural, etc. Mas nunca sem largar a sensação de que isto de aprender deveria ser muito mais giro do que isto que estamos a fazer e nem por isso ajuda nesta coisa da atenção-concentração-memória. E depois também damos por nós a mandar estas ideias todas à fava. E depois damos por nós no mesmo sítio e a não econtrar formas muito alternativas, embora não competitivas, de estar.

Os meus filhos, como todos os irmãos, são pessoas muito diferentes entre si. Não têm problemas de aprendizagem, apenas tiveram percursos escolares diferentes porque fizeram o início do percurso em diferentes momentos das suas vidas. Ela teve um início mais atribulado, ele quando começou já se encontrava, pelo menos, “protegido”.
Ela é criativa, rica em histórias e sonhos. Ela surge com soluções improvisadas muito boas. Ela não escolheu violino ou piano, ficou desde logo bem definido que o seu interesse era por instrumentos de sopro. E chegou inclusive a dizer-me que “além disso” desejava um instrumento portátil, que pudesse “levar para os sítios”. Acabou por fazer audições para clarinete e fagote. Ficou aprovada para ambos e entrou em fagote. E eu dou por mim deslumbrada com esta ideia da minha filha tão tendencialmente fashion escolher um instrumento tão low-profile e fico assim… deslumbrada. São maravilhosas as nuances que definem a personalidade de cada pessoa. E as nuances que definem as personalidades da minha filha são, de facto, encantadoras.
É a Magnólia.

Ele é aquilo a que lá em casa chamamos “uma personagem”. A sério, o nosso filho é o máximo. Desde as suas expressões faciais, aos gestos que faz com as mãos quando tenta relatar algo, às questões complexas que coloca sobre a vida, é tudo tão delicioso nele. Adora matemática, especialmente os problemas. E adora ler. E adora escrever cartas. Ele gosta de aprender mas detesta os inícios, reage mal à dificuldade inicial antes daquele estado de habituação ao tema. Foge, chora, diz que nunca vai ser capaz, inventa desculpas e, no limite, passa por preguiçoso. Uma pessoa tão inteligente que prefere passar por preguiçoso a dar o salto e mostrar o prazer que tem em aprender. E depois, vamos no carro, ouvimos piano e ele chama-me para me explicar uma coisa da “música quando não faz barulho, estás a ver, mamã?” e eu entro em sintonia com o Universo e sinto toda a gratidão dos tempos por o meu filho acabar de inventar, naquele momento, a noção de silêncio e compassos de tempo.
É o Chaparrito.


Portanto, demos por nós com dois filhos cheios de vida para aprender, em idade oficial escolar, e com o ano lectivo começado. Demos por nós com uma escola a 150 m de casa e com vaga para ambos. Damos por nós neste sistema fechado, de ensino rígido e antiquado. Tivemos sorte, é preciso dizê-lo, com as professoras. O Chaparrito teve mesmo muita sorte, mais ainda do que a Magnólia que calhou com uma professora especial que não é capaz de falar dos meninos sem se comover. Estamos a falar de duas cinquentonas, não estou a falar de noviças que “ainda” se comovem. Reparem: a professora do Chaparrito tem-se correspondido com ele por carta durante as férias (um dia destes digitalizo-as e coloco aqui).

Não critico as pessoas, critico o sistema. Não compreendo como é que mantemos este sistema tão pouco natural. Não compreendo com tal intensidade que me dá vontade de fazer birra e bater com os pés. Depois, leio coisas destas e fico com vontade de chorar e de ir embora. (ainda por cima, eu, que não tenho aquela coisa de ter ídolos, sou uma espécie de fã da Tilda Swinton!)

Já pensei no ensino doméstico, mas isso dá para outro post, a conclusão foi de que: para já, e aqui, não dá.

E ficamos sem saídas, suspirando de alívio por, ainda assim, os nossos filhos conseguirem safar-se (como nós) neste sistema, não sendo daquelas crianças que acabam encaixadas no rótulo do deficit de atenção e hiperactividade ou da dislexia. 
Nuns dias tenho de fazer mais esforço do que noutros para me conformar que não tenho como oferecer alternativas mais simpáticas e naturais para que os meus filhos façam o seu percurso de aprendizagem escolar.



Noutros dias, o Chaparro pergunta-me “porque suspiras tanto hoje?”.

Cipreste


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Brincar

Não costumo brincar com os meus filhos. Jogo muito, mas raramente brinco com eles. Não acho muita graça, monto uns legos ou ajudo a organizar a cozinha, de resto, acho que devem puxar pela imaginação e acho uma parvoíce fazer fretes. Se é para brincar, que seja espontâneo. Hoje foi.
Cumpri a promessa de fazer roupinhas para as bonecas. Foi um belo final de tarde passado na companhia dos meninos e da minha mãe. Eis os resultados...

Nancy
Coisa mais fácil, uma meia cortada pelo tornozelo com dois golpes para os braços e o lenço foi recortado de umas cuecas



Barbies, Violetta e Ludmilla
Da esquerda para a direita:

- top e saia às pintinhas - recortados de umas cuecas, foi a única peça que costurei, a fita é um bocado de elástico, atrás, a saia faz um laço com um pedaço do elástico;
- vestido de noite – um lenço de tecido de tipo chiffon recortado ao centro com dois golpes para os braços, preso no pescoço e na cintura com fitas de cetim* que também usámos para o cabelo da boneca;
- vestido de cerimónia (este foi o que me deu mais graça de fazer, usando umas cuecas tipo boxer, de cetim!, compradas há mil anos, por engano :P ) – usei 2 cortes das cuecas, o 1º passei pelos braços e atei atrás e o 2º fez de capa, et voilà, na cabeça usámos daqueles materiais para trabalhos manuais com arame;
- vestido de malha – igual ao da Nancy ;
- a última toilette foi apenas um conjugar de adereços, o vestido era das minhas Barbies de quando era pequena, aliás a boneca era minha também :)

* eu sabia que cortar e guardar aquelas fitas horrorosas que agora as camisolas trazem cosidas por dentro e que andam penduradas por fora das golas iria servir para algo um dia :P

Isto deu muito gozo e muita risota :)

Até amanhã,
Cipreste

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Amanhecer

Não sei se vou conseguir. Para ser honesta, não sei se é isto que quero. Mas afeiçoei-me a vós, a alguns de vós. Passei a gostar de falar convosco. Mas não sei se vou conseguir falar convosco agora.

Agora é o início da era da maternidade. Agora é o início da nova era - a era após a partida do meu pai. Agora sou eu diferente. Eu estou diferente. Mudei. Afinal, mudamos. Sou a mesma pessoa, obviamente, porém houve mudanças cá dentro e reflectem-se no meu dia-a-dia, na forma como me movo, na forma como falo. Estou diferente e ainda me estou a habituar a isso.

Diferente pode ser tão-só a expressão para dizer que estou cada vez mais real e próxima das coisas pequenas e mais simples. Ficando, assim, mais complexa na extensão dos meus pensamentos, sendo agora uma missão mais difícil esta, a de escrever.

Queria contar-vos como é tão difícil cumprir o slogan Pessoano do “primeiro estranha-se, depois entranha-se” da maternidade ready-made que a adopção traz. Queria contar-vos como é possível que esta mais-difícil-tarefa-de-sempre me traga voluntariamente sequestrada neste estado de (sim!)-é-isto-que-eu-sempre-quis-fazer.
Queria escrever sobre as coisas práticas, deixar-vos dicas.
Apesar da vontade, dou por mim ainda neste estado de uma certa inércia comunicativa.
Talvez ainda precise de mais tempo. Hoje, li estas duas citações, explicam-me muito:

"Where there is much light, the shadows are deepest"
Goethe

“For my belief is that if we have five hundred a year and a room of our own; if we have the habit of freedom and the courage to write exactly what we think; if we escape a little from the common sitting-room and see human beings not always in their relation to each other but in relation to reality…then the opportunity will come and [we] will be born.”
Virginia Woolf


Sinto vontade de partir, de viajar com o Chaparro e com os miúdos, percorrendo o mundo. Não à procura da civilização mas perseguindo a maravilhas da natureza. Começaria pela aurora boreal.

Amanhecendo devagar nesta nova era.

Até já,
Cipreste

p.s. parcimoniosamente, deixo a grande notícia em post scriptum: chegaram os novos cartões de cidadão dos meninos - os nossos filhos são oficialmente nossos. Processo burocrático findo após 10 meses. Confere!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

e é isto


Este é o terceiro post que escrevo a justificar-me perante quem nem sequer me pede contas mas a quem sinto dever mais respeito (no mínimo, respostas).

Quero tanto falar-vos sobre o que é isto de adoptar duas crianças “mais velhas”. Quero falar-vos sobre a surpresa da maternidade. Sobre a minha constante luta interior, sobre a minha ânsia de ser boa mãe, de, quando muito, nas minhas falhas lhes causar males menores. Quero partilhar os meus encontros recorrentes com a discrepância entre o que reflicto e como ajo.

Penso que vou ter tempo de escrever e vir aqui partilhar os meus pensamentos convosco durante as férias, mas, como ultimamente aprendi a avaliar bem os compromissos que tomo, não faço promessas pois é bem possível que, ao contrário de o actualizar, deixe o blog em stand-by.

Somos pessoas com ligações ao mar.
Vamos a banhos e talvez voltemos já.
Talvez voltemos mais tarde.
Saudinha,
Cipreste

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

copy/paste

um pouco à pressa, cansada e descansada, preocupada e tranquila, cheia de dias cheios ocupados e desocupados, ainda sem conseguir vir falar convosco na primeira pessoa, responder a comentários e a emails, deixo-vos com este copy/paste ao qual digo "ámen" (adoro resumos bons!)
beijinhos e boa praia-trabalho-viagens-etc
Cipreste
~ ~ ~

Jennifer Lehr

Want respectful children?

If you want respectful children…

You gotta be respectful to them.

You want your children to listen to you?

You gotta really listen to them.

You want a child who is caring, sensitive and patient?

You gotta be caring, sensitive and patient to them.

You want a resilient child?

You have to let them practice struggling and recovering—with support.

And if you want your child to have impulse control…

you have to have it with them!

As in, don’t lose your cool. And when you make a mistake and respond in ways you wish you hadn’t (which we all inevitably do), you need to make amends—the benefits of which are numerous: 1) Your children will see you as fallible and thus human, 2) they’ll know you truly care about their feelings and 3) you’ll be modeling remorse and humility.

And just because you do treat them with respect and compassion, doesn’t mean they will transform their behavior overnight.

Patience, repetition and predictability are key.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

curtas

Chamo os meninos mas só ela comparece. Pergunto por ele ao que ela me informa que hoje ele só responde por "fada", chamo pela fada e lá surge por detrás da cortina com as asas e as antenas* de fada na cabeça

*a mim, parecem antenas, mas não sei se as fadas têm antenas

domingo, 19 de julho de 2015

ambições

"só" queria conseguir isto:

«Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos,(...) Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. (...) O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres.»

via este link, que não refere a autoria do texto

sábado, 18 de julho de 2015

ambições


Dos novos dilemas que surgem com a maternidade: fazer conviver a sofreguidão por livros de poesia com a sofreguidão por livros "infantis".


curtas

Enquadramento da situação: ter uma mãe que fala português e um pai que fala alentejano

Os efeitos do bilinguismo, numa prova de nêsperas, a minha filha diz: É bom! Só que ainda não consegui perceber bem se sabe a maçã ou a pêro.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Vou ali (e acolá) e já venho

Olá, olá

Só para dizer que o blog está em auto-gestão ("postagem" agendada), andamos a mil, motivo pelo qual temos deixado comentários e emails por responder. Voltamos já-já para vos dar as novidades das últimas duas semanas (e da próxima!) :)
Bom fim de semana!
Cipreste




do léxico do Chaparrito

Obrigadação
Resmate
Desfender
Desquecer
Canguruja

quarta-feira, 8 de julho de 2015

curtas

07h15
Dar um beijo ao Chaparro. Lembrá-lo dos pormenores logísticos do dia. Dar outro beijo ao Chaparro.
Espreitar os meninos. Dormem ferrados.
07h20
Descer as escadas, engolir uma taça de cereais.
07h25
Pegar na trouxa, ouvir os passos de alguém no andar de cima. O «Bom dia, mamã» que se ouve ensonado. Chegar-me ao corrimão, «Quem está aí?», «Sou eu, mamã.», diz ele ensonado, «Estou na casa de banho», explica. «Bom dia, filho, a mamã já não consegue ir aí acima, estou mesmo de saída para apanhar o autocarro», «Está bem, mamã, até logo, tem um bom dia», «Para ti também, amo-te muito».

Fazer a viagem com um sorriso "parvo" na cara, rever cada segundo de beleza, dar graças por isto. Por tudo.
E o pormenor atencioso «tem um bom dia».
E a doçura ensonada com que repete «mamã».
Oh céus, quanta ternura consegue uma mãe aguentar?

This is bliss.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Criar

Quando me dei com dois filhos no regaço não foi no amor de mãe que pensei, não foi isso que senti em primeiro lugar. Quando me dei com dois filhos no regaço foi a possibilidade o seu sofrimento que tomou conta de mim.
É óbvio que, se falamos de uma situação de adopção, estamos a falar de perdas específicas, mas não falo apenas do evidente sofrimento que se adivinhará a quem o percurso de vida familiar tenha sido interrompido precocemente. Falo do sofrimento natural e inerente a todos nós.
A primeira vez que me deparei com uma situação de stress da minha filha, com aquele corpo magro a tremer e ela a encostar-se a mim como se quisera entrar por mim adentro, senti que ia desfalecer, pensei mesmo que ia desmaiar. Quis fugir. Não era possível que o sofrimento daquele ser pudesse influenciar de tal forma a minha capacidade respiratória. Mas foi – é – possível.


Tenho dois filhos maravilhosos. São as pessoas mais corajosas que conheço. São pessoas de bem com a vida.
São os meus heróis.


O nosso início de vida foi como o é a vida no seu todo:implacável. Estávamos juntos há menos de um mês quando o estado de saúde do meu pai se começou a agravar até que nos deixou, ainda não havia passado dois meses da nossa vida em comum. Ao entrar numa vida nova e totalmente desconhecida com sonhos de serem um príncipe e uma princesa, prontos para viver felizes para sempre, os meus filhos vieram encontrar uma mãe em lágrimas.
Assim, a nossa vida começou com risos e choro à mistura, com conversas sobre o amor e sobre a tristeza. Afinal, não estavam ali apenas duas crianças de luto pela sua vida anterior, mas uma família inteira de luto.

Dou comigo, assim, no lugar em que me questiono como posso criar os meus filhos para saber estar de bem e conviver naturalmente com o sofrimento próprio da vida. Sinto, assim, que a dimensão do amor pelos filhos não passa, para mim, por descrições cor-de-rosa sobre como seria capaz de dar a minha vida por eles ou que os filhos é que vêm dar sentido à nossa vida. Aliás,sempre achei que existir para dar sentido à vida dos pais é no mínimo, e para começar, uma herança demasiado pesada para um filho.
Adiante.

Não deixo de ler o que posso sobre pedagogia, o que não é o mesmo que dizer que ando à procura da teoria acertada para educar. Para lá do ensino das boas maneiras à mesa, a educação para a vida nada tem que ver com discursos e é quando nos vemos mergulhados no meio destas emoções todas que damos verdadeiro sentido ao “educar através do exemplo”.
É óbvio que temos desejos para o tipo de pessoa que gostaríamos que os nossos filhos crescessem para ser, para além das suas essências próprias, mas nada mais do que o básico: ser boa pessoa, honesto, amigo, trabalhador, etc.


Passam 8 meses desde que a minha vida mudou para sempre – assim mesmo, com todo o dramatismo próprio à frase que acabo de escrever. 
Assinalo os dois grandes marcos desta viragem da minha vida: a confirmação de que a aprendizagem sobre o bem-querer vem do bem-querer ele próprio e não de palavras vãs, precisamos de actos coincidentes com as palavras; e a constatação de que o meu bem/mau-estar vai estar para sempre a passo com o destes dois seres maravilhosos que entraram de rompante na minha vida.

Este texto que linko resume o que tentei dizer neste post, de uma forma que receio ter sido atabalhoada mas que penso ser útil na partilha de experiências e dúvidas que cabem a muitos de vós que estão deste lado comigo. Acima de tudo, é sobre a nossa capacidade de luta contra o sofrimento de um filho quando percebemos e aceitamos que a vida (também) é sofrimento e que é possível conviver e rir com ele sem ter de decretar derrotas antecipadas à morte – pois esta é a única coisa que não tem remédio.

Brian Rea

«The most optimistic people often struggle the hardest. They can’t quite square what’s going on in the world with their beliefs, and the disparity is alarming.
(...)
In retrospect, my poetry project was a harmless sideline that kept me benevolently out of her way as she struggled not just to see the horizon but to march bravely toward it.»




Cipreste



domingo, 5 de julho de 2015

regressar à labuta

Foram 5 meses de licença de maternidade. A nossa opção foi de 150 dias [120+30(criança "extra")] a 100% do meu vencimento. Não partilhámos a licença, lembram-se que o Chaparro havia perdido o emprego? Pois, aconteceu tudo ao mesmo tempo para não ser monótono :P

Adiante, o que vinha dizer é que tive de regressar e embora goste do meu trabalho e dos meus colegas e tal, confirma-se o que sempre suspeitei antes de ser mãe: gostava de ser uma stay-at-home-mom.

Não estava era à espera de, às 8h, quando coloco o dedo no sistema de identificação biométrica já estar com saudades da minha gente.
Resta-me adaptar até que me saia o euromilhões ou tenha uma qualquer epifania.
Enquanto isso, dou por mim murmurando a toada desta canção ao longo do dia.