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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Desafio

Há muito tempo que não vos venho falar da endometriose e convém ir fazendo-o amiúde porque é muito importante ir passando a palavra.
Fica a mensagem de ontem da Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose, no facebook:

Esta doença afeta mais de 176 milhões de mulheres em todo o mundo!
Já a conhecias? A divulgação é a nossa maior arma para um diagnóstico correcto e atempado podendo assim evitar a progressão da doença e sequelas irreversíveis!
Sabe mais em mulherendo.

A ideia é escrever a palavra Endometriose de forma original, fotografar e partilhar com a mensagem no vosso mural desafiando 4 amigos a fazê-lo também.

Têm 48h para cumprir este desafio (foi a contar desde ontem dia 15, eu é que me atrasei...), caso contrário deverão fazer um donativo de 1€ à MulherEndo - Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose!

Fica o meu contributo, em dia de aniversário da Mafalda ;)



Pf ajudem a passar a palavra e, se possível, uma pequena contribuição para a nossa associação que tanto nos tem ajudado - pelo menos, a mim, já fez uma enooorme diferença na vida

Obrigada e beijinhos,
Cipreste

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Adopção: as sessões de formação - sem mistério


Algumas pessoas podem pensar que é fazer formação para aprender a ser pais, mas na verdade não é isso. Quer dizer, é, mas não é. Entre outras coisas, para mim, é aprender sobre como procurar minimizar os danos da vida ou, pelo menos, aprender a não piorar coisas que já são por demais difíceis.
Façamos uma pausa no espírito crítico que está à flor das nossas convicções e deixemo-nos enredar pelas conjunturas  habituais que levam à paternidade: biologia ou adopção.

Com um filho biológico, que surge de uma gravidez desejada e planeada em que há tempo para ver o corpo da mulher a mudar enquanto se faz o enxoval, penso que não há propriamente dúvidas sobre a origem do amor e a sua devida reciprocidade. A criança nasce e tem o amor e protecção dos pais como garantidos. Os pais têm dúvidas, naturalmente, mas isto é a vida e tudo irá fluir, no mínimo, podem mimetizar o que fizeram os seus pais e outros amigos e família que à sua volta também têm filhos. Mais ou menos, têm tudo para que a coisa corra “normalmente”, dedicando-se à puericultura sem necessidade de preocupações e diligências no que concerne a psicologia, a sociologia e até a antropologia.

Com um filho adoptado, e em consciência, não me parece que as coisas possam ser levadas de forma tão “natural”. Não digo que tenhamos de controlar tudo à nossa volta, de todo. Mas acho que será negligência da nossa parte, enquanto pais adoptivos, tentar fingir que é tudo igual, que se educam os filhos adoptados da mesma forma que se educam os filhos biológicos, que é deixar as coisas andar que tudo logo se compõe. Provavelmente num mundo ideal isso aconteceria, mas na proporção inversa do que se possa imaginar num primeiro instante.

Acontece que eu gosto da ideia de mimetizar a família e amigos, dá-me uma sensação confortável de aldeia, de comunidade, de protecção, de haver um espaço legítimo para a tentativa-erro. E, para solidificar e rematar essa prática, fazer como dizia o Professor João dos Santos: educar é fazer falhar a educação que nos deram. 
Eu quero fazer isso, é assim que vou tentar estar na educação do(s) meu(s) filho(s). 
Porém, não me safo de um processo de retaguarda a que os pais biológicos são, na sua grande maioria, poupados. Na adopção há um passado, no mínimo negligente, a ter em conta e muito provavelmente o(s) meu(s) filho(s) trarão memórias que nós teremos de ajudar a neutralizar para que possam retomar as suas meninices em segurança e com alegria.

Devo ler e receber formação e reflectir e discutir os assuntos que me são apresentados com o meu marido e com a equipa de adopções e com outros casais e com outros candidatos à adopção e com a família e com os futuros profissionais que venham a acompanhar o(s) meu(s) filho(s). Já tenho provas dadas disso, dessa necessidadade, pois já analisei situações que tenho a certeza de que eu não enfrentaria da forma mais eficaz do ponto de vista dos afectos se não tivesse lido e recebido formação e reflectido e discutido esses assuntos.

Durante os anos de infertilidade, antes de cada tratamento parei para reflectir sobre a vida, se fazia sentido ter um filho, tentar consciencializar-me para as grandes mudanças na minha vida com a vinda de um filho, etc. Agora, para a adopção, não só ponderei estas questões como se lhe acrescentaram mais algumas e uma das mais importantes é esta: a que necessidades é que eu acho que tenho capacidades para responder?

Isto é algo que tenho aprendido com a equipa de adopções, é a fazer estas reflexões que nos ensinam nas sessões de formação. Não pensem em vir de lá com respostas, vêm com mais perguntas, mas estas são as perguntas que nos ajudam a saber a cada passo mais e melhor aquilo para o que achamos que estamos preparados.
Tudo em prol de uma adopção de sucesso que é dar uma família a uma criança em que ela se sinta  amada e segura, em que saiba que aqueles pais estão ali para o que der e vier, para sempre, e que cada um tem o seu papel e o das crianças é esse… ser criança, com todos os direitos que lhe são devidos. Acrescentando-lhe mais alguns, de preferência.

E querem saber uma coisa? Tudo isto está a acontecer de forma natural na minha cabeça, a encaixar, a fazer sentido que assim seja, estou a sentir isto de forma muito intensa e a sentir a forma humanizada com que nos estão a abordar. A palavra que me surge desta construção é fraternidade, e mesmo adivinhando grandes desafios e dificuldades estou a gostar muito de estar neste sítio, lado-a-lado com o meu amor e com a minha família e amigos que estão todos a viver uma gravidez muito desejada.

Ah! Retenham estas expressões pois suspeito que as vamos usar muito por aqui: neutralizar e necessidades versus capacidades.

Cipreste



Unicef + Pedro Strecht

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Todas as crianças com mais de cinco anos têm direito a desabafar.

Todas as crianças até aos onze ou doze anos têm direito a andar grátis no Carrocel quando estão de férias.

Todas as crianças que andam na Escola têm direito a serem alegres, terem amigos e a brincarem com os outros.

Todas as crianças têm direito a ter uma Professora que não grite com elas.

Todas as crianças têm direito a ver o mar verdadeiro, especialmente em dia de maré vazia.

Todas as crianças têm direito a, pelo menos uma vez na vida, escolher um chocolate que lhes apeteça.

Todas as crianças têm direito a terem orgulho na sua existência.

Todas as crianças têm direito a pensar e a sentir como lhes manda o coração, até serem velhas, aí com uns vinte anos.

Todas as crianças têm direito a terem em casa o Pai e a Mãe, os irmãos, se houver, e comida. Se o Pai e Mãe não conseguirem viver juntos têm direito a que cada um deles respeite o outro.

Todas as crianças têm direito a deitarem-se no chão para ver as nuvens passar, imaginando formas de todos os bichos do Mundo combinadas com as coisas que quiserem (por exemplo, um cão a andar de patins ou uma girafa de orelhas compridas).

Todas as crianças têm direito a começarem uma colecção não interessa de quê.

Todas as crianças têm direito a chupar o dedo indicador que espetaram num bolo acabado de fazer ou então lamber a colher com que raparam a taça em que ele foi feito.

Todas as crianças têm direito a tentarem manter-se acordadas até tarde numa noite de Verão, na esperança de verem uma estrela cadente e pedirem três desejos (a justiça devia fazer acontecer sempre pelo menos um).

Todas as crianças têm direito a escrever ou a falar uma linguagem inventada por elas (ou que julgam inventada por elas), como por exemplo a «linguagem dos pês»: «apalinpingupuapagempem dospos pêspês».

Todas as crianças têm direito a imaginar o que vão querer fazer quando forem grandes (habitualmente coisas extravagantes) e a perguntar aos adultos «o que queres ser quando fores pequenino?».

Todas as crianças têm direito a dormir numa cama sua, sentindo o cheiro da roupa lavada, e a terem um espaço próprio na casa, pelo menos a partir do ano de idade.

Todas as crianças têm direito a passear na rua tentando pisar apenas o empedrado branco (ou só o preto); em opção, têm direito a fazer uma viagem contando quantos carros vermelhos passam na faixa contrária.

Todas as crianças meninos têm direito a, pelo menos uma vez na vida, perguntar a uma menina «queres ser a minha namorada?» e todas as meninas têm direito a, pelo menos uma vez na vida, responder, «sim, quero».

Todas as crianças têm direito a ouvir um adulto contar pelo menos uma destas histórias: Peter Pan, o Principezinho ou o Príncipe Feliz.

Todas as crianças têm direito a ter alegria suficiente para imaginar coisas boas antes de dormirem e depois, a sonhar com elas.

Todas as crianças têm direito a ter um boneco de peluche preferido, especialmente quando velho, já lavado e mesmo com um olho a menos.

Todas as crianças (especialmente se já adolescentes) têm direito a usar os ténis preferidos, mesmo que rotos e com cheiro tóxico.

Todas as crianças têm direito a poder tomar banho sozinhas e a experimentar mergulhar na banheira contando o tempo que aguentam sem respirar.

Todas as crianças têm direito a jogar aos polícias e ladrões, preferindo inevitavelmente serem ladrões.

Todas as crianças têm direito a ter um colo onde se possam sentar, enroscar como numa concha e receber mimos.

Todas as crianças têm direito a nascer iguais em direitos.

Todas as crianças têm direito a conhecer o sítio onde nasceram e a visitá-lo livremente.

Todas as crianças têm direito a não ficarem sozinhas a chorar.

Todas as crianças têm direito a viver num País que tenha um Ministério da Infância e Juventude, que olhe verdadeiramente pelo crescimento afectivo e bem-estar interior (sem preconceitos adultocêntricos ou hipocrisias com ares de cromo abrilhantado).

Todas as crianças têm direito a acreditar que têm um adulto que olha por elas e as ama sem condição prévia (nem que seja Nosso Senhor).

Todas as crianças têm direito a viver felizes e a ter paz nos seus pensamentos e sentimentos.

Pedro Strecht via maus tratos na infância