quarta-feira, 23 de setembro de 2015

E digo-vos mais...

Estou certa de que muitas das "devoluções" de crianças estão ligadas a confusões que se instalam devido às pessoas não terem consciência prévia (nem apoio posterior) para perceber que a rejeição é "apenas" algo natural e que vai passar. Oh, isto dava pano para mangas e eu tenhoo horas (dias) da minha vida em leituras e reflexões sobre isto. Tivesse eu tempo para escrever...


A sério, tivesse eu tempo para escrever e acho que me dedicaria a isto de forma profissional.
Até já. 

E... disponham, posso não ter receitas, mas só a partilha da experiência (sei-o agora) pode bastar para acalmar os nervos a pais assustados e bem intencionados mas perdidos.

Cipreste

5 comentários:

Anónimo disse...

Já tinha pensado várias vezes neste assunto.
Eu achava que se devia a:
- avaliação insuficiente dos candidatos;
- omissão de informações importantes por parte das instituições de acolhimento;
- não coincidência do que se imaginava com a realidade.
Mas não sei se estou certa ou errada...mas de vez em quando lá ouço que um amigo do amigo adoptou e tiveram fases horríveis, de asneiras enormes e volto sempre à mesma pergunta....as asneiras são mesmo enormes e só acontecem com os filhos adoptados porque testam e é muita coisa para uma criança ou os novos pais é que não estão preparados??
AnaM

Joana Mendonca disse...

Acho que esta é uma questão muito complexa que uma solução só não chega... Felizmente, os casos de "devolução" são poucos, mas acho que se devem a varias razões todas misturadas. Nenhum pai está preparado, seja quando adota, seja quando o é por via biológica. E todos os filhos testam os pais, uns mais que outros, e naturalmente os filhos com uma história prévia defendem-se para ter a certeza de que a sua história não se repete. Mas há histórias que não imaginamos...

Cipreste disse...

AnaM e Joana, creio que será um coctail de todos os factores juntos e fiz a ressalva de não dizer que seria de "todas" as "devoluções"
o que quis dizer com um post tão curto sobre um assunto tão pesado e não resolvido, ou seja, que continua a acontecer, foi que acredito que alguns pais não foram devidamente preparados para a possibilidade do sentimento de rejeição
e se, nos filhos biológicos, a noção de que não há como os devolver à procedência (aliás, muitos creio que nem chegam ao pensamento de "devolução"), já nos filhos adoptados:
1. para esses adoptantes, não estamos a falar de "filhos" ainda, porque esses pais ainda nem sequer o conseguiram sentir como tal, pelo que, "devolvendo" nem estão a devolver filhos mas antes crianças de quem não se conseguiram sentir pais
2. quantos pais (biológicos ou por adopção) tem conhecimento prévio de que é possível sentir-se rejeitar o filho? creio que uma minoria, embora hoje em dia as pessoas já comecem a ser mais honestas sobre estes assuntos. acho que há diferenças aqui entre biológico ou adoptado (e nos adoptados entre os bebés e os "crescidos") que são responsáveis pela presença da possibilidade (e muitas vezes concretização) da "devolução"

acima de tudo, acredito que a vida dessas pessoas fica destruída por falta de se ter abordado e tratado devidamente uma reacção natural e humana e que não teria de ter tido como resultado uma "devolução" se fosse bem acompanhada. e acredito mesmo que a vida dessas pessoas fica destruída. e sim, as crianças ficam traumatizadas e manipuladas e magoadas). em histórias que podiam ter tido finais mais felizes em que nenhum dos protagonistas seja, de facto, um monstro

e custa-me muito, hoje ainda mais, quando vejo as caças às bruxas quando vem cá para fora histórias destas

pessoas confusas nunca tomaram boas decisões, mas acredito que pessoas confusas com a vida de crianças nas suas mãos sintam urgência de tomar decisões e que depois o façam de forma fatal para todas as partes... em alguns casos, digo eu... suspeito eu, não sei...

C. disse...

quando voltei de férias tinha em mente voltar aqui para te dizer o quanto gostei deste lugar e que achava que devias voltar. hoje, regressei e estou feliz porque vejo que o fizeste. e mais só posso acrescentar que tu e a tua partilha autêntica e lúcida são serviço público sim! obrigada e beijinhos para resto do bosque :)e para o patudo mai'lindo. (nós,para a semana vamos à acção de formação inicial).

Cipreste disse...

Muito obrigada pelas palavras amáveis, C. :) é motivação para continuar, embora ande pouco assídua...
boa sorte para vós!